segunda-feira, setembro 18, 2006

o dedo doce, uma bolinha moldada nas mãos. pensando algo assim: se a bolinha se desmanchasse e fosse absorvida pra passear pela corrente, poderia se metamorfosear em doçura pura? e alcançar em cheio o coração, dizendo coisas que a ternura jamais poderia vislumbrar?

os acordes deletérios rasgam, tinindo metais. impulsionam chispas que não têm tempo de serem codificadas: olhos arregalados numa incompreensão infinita.

quem sabe um pote inteiro de açúcar.

domingo, setembro 03, 2006

Meus dedos queimam, estou catando essas paredes, fazendo força, muita força mesmo, para trazê-las até aqui, para me cercarem de mais perto. Levantei, nem as paredes querem me engolir. Existem arabescos no céu, diviso-os, sabem tudo sobre mim. Eu penso na leviandade desse laranja, mas não quero discutir. Realmente. Quero a fumaça, seguir a linha. Quero criar falsos diálogos, estou fugindo enquanto tento me equilibrar. Amanhã será terrível, com tantas obrigações de ver e cheirar a miséria. Ainda tenho a noite para a minha energia, para me adorar.
... que tinha cheiro de infância: deu voltas pelo ouvido, mas o que é. Tornou-se entanguido, é como dizer "eu não te alcanço", permanecendo os olhos dubitativos, "não entendo de mulher". E se remediasse, "não é mulher, é céu", os olhos dessa feita relembrariam: "existia um céu, era tarde, as cigarras cantavam e o júbilo era pôr as cascas nos cabelos das moças". Mas se fosse relato de reiterar uma vida de si para si, que saída seria, "toma, me dou". Pensaria que era salacidade ou pureza? E se não ocorre um pensamento, consentindo? "Sim, se dá". Os olhos embebidos da novidade arriscam um novo lume, nasceram agora (antes dormiam ou abriam retesados, para lá e para cá, uma mosca presa ao copo). "É um gosto ressabido a saliva, deluso". Sem subterfúgios, não são flores, têm carne e movimento de quem não balança ao ar. Não fosse a escuridão e o silêncio, jamais se encontrariam.