sexta-feira, janeiro 27, 2006

Derreter-se hermética

Perquirir o dedo doce, leite em pó, fogo, sabendo a tristeza, muito mesureira, ameninando-se por dentro como medida de contenção, adulterando-se externamente para um equilíbrio qualquer. Sabe, dessas coisas triviais, de ser barro suspenso que ainda não secou, não crendo ainda em Báratro e em pecados, capitais ou subseqüentes. Sobretudo sem trazer vincos irrecuperáveis de cepticismo – olhos úmidos, dizem. Ainda assim um vaso vazio, beirando o vento ou outras quebras de linha. Uma basbaque, sem praticidade ou desenvoltura. Uma voz, que ainda fosse um suspiro, e já teria o que processar, máscaras para reerguer, estruturações mais aprimoradas de raciocínio. Não há. Um canal, um código. Não. Sem retenções. Retorna, verdadeiramente de si para si, com cheiro de ar.




(pedacinhos de Al Otro Lado Del Río)

sábado, janeiro 21, 2006

Das coisas iniciais

Uma teia de deixar-nos atônitos com o poder íntimo de recriação humana, porquanto de uma infinidade impossível, contorce-se em certa espiral, como se não existissem horizontes ou fins, com reticências nos dois extremos. O que parece ser bom para egos que ainda crêem em retidões burocráticas e relógios universais. Sentir-se pequeno é delicioso. E não alcançar as divisórias cruciais é como crer que elas não existem, é ceder pra si a autoridade da criatividade, da fluidez e da paz, independente de modas e expectativas. Uma paz consciente e não um espasmo desesperado. Felicidade não é uma obrigação e ser livre para saber querê-la ou não, em um tempo ou não, é se encarregar de lidar com a própria subjetividade de um modo mais sincero, até o ponto em que isso seja realmente possível.

A perplexidade ante o poder de renovação me provoca as mais agitadas inclinações em direção à crença no Homem. É o combustível que me dá estalos e esperanças, que me ataca dolorosamente por amar muito e, diante disso, me faz provavelmente amar mais.