quarta-feira, janeiro 10, 2007

Penso em como me transformei em um baú repleto de pegadas não entregues ao mar- ou qualquer intempérie. Suponho que deveria ter fixado os ensinamentos de La Fontaine e construído apreço pelo bambu, fino e maleável... Quem sabe, por favor, uma dose curta de memória (um elefante nunca esquece e, como tal, carrega o peso).

Há dias abro-me e espero um vento passante que carregue tanta mágoa. Ou tanto amor. Se existe uma pluma de esperança, essa será a mais adorada, daquelas que não nos permitem pestanejar em ir ao encontro, correndo como bestas atrás de tamanha indecisão –caio ali ou aqui- tropeçando de braços abertos.

Permaneço de braços abertos. Olho bem fundo nos olhos das pessoas nas ruas, olho bem fundo para rua (porque não sou mais a dondoca emocional de antes). Procuro sinais, pois ainda não desisti de enviá-los e preciso crer que há quem os envie também- e queira recebê-los.

E é pensar assim que o vento faz como quem me visita, só de passagem. Traz a pluma e leva um pouco de mim. Piscando vestígios, espero por algo que me habite. Eu, tão oca.

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

eu tenho uma dose curtíssima de memória...

bom tu aqui, de volta.
beijos bo-ni-ta.

12:23 PM  
Anonymous Anônimo said...

- o que vai nos preencher, meu Deus?

fico pensando se sou realmente feita de alguma coisa.

Camila.

2:10 PM  

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