domingo, março 26, 2006

Suave mari magno

Transitas em meu lado mutilado, visionário. Conjuras um modo de me salvar, me tomas por paranóica, signo touro, ascendência em sagitário. Eu confabulo, te espero, mendaz. Peço por um rio, erosivo, descarto movimentos pendulares. Catas-me a um só tempo, em cinco mãos, assertivo em águas confluentes. Abro-me, mil - folhas, te suporto, a planejar um céu ástreo a reverberar. Que tenha nossos nomes escorregadios, atravessados num símbolo-eterno. Que urre em galhardia por todos os segundos imóveis, em canais telepáticos, a decifrar sua impassibilidade, seu tonel de profusões internas. Vê essa estética recriada a exalar cheiro de porra, amalgamando o princípio ao fim. Estou a falar com o vento, amor. Estou falando pra ti, de nós. A escrever porque cega, sentindo teus dedos que se metem em minha boceta e sobem à boca, a boca que desce à boceta. Mergulha, ceifa a tua pretensão de me salvar.

sexta-feira, março 17, 2006

Um balão acima indica, obviamente, o ajuntamento de sensações a serem exteriorizadas. A despeito de perfeitas estruturações, o agrupamento de palavras angariadas perturba-se a si mesmo. Andam tóxicas, combinam variações, prometem rótulos sem conseguirem acobertar seus próprios segredos.Um balão acima que ainda não deu explicações é perturbador. O que faz aqui? Qual o fim de crescer sem a ventura de explodir? Está projetando malícias, engasgando. Não tem vontades, atropela-se no ato de existir.Um balão acima se entope, tosse. Perdão, perdão. Em contato com paredes e tetos, adere, empurra. Perdão; engasgos obscenos. Suor. É maior que o cômodo, dá licença, licença. Denso, não se apercebeu: incomunicabilidade mórbida.

sábado, março 11, 2006

Tantos sinais de ordens nababescas disparados ao peito, e uma pequena chance de tudo ser mentirinha; sendo um passo, a caída; sendo expressão, a delatora.

Tem essa linha silente no fim da vista, o pisoteio na calçada, rascando, ao fervilhar de mil bichinhos estomacais. Acresce ao esquecimento as invenções vespertinas e, de todo modo, há tanta novidade passada... A trilha deixada seria irreconhecível e inútil seria traçar no branco essa biografia que cá se desenha ou que almeja deixar as cores elementares.

Persistem os cheiros, os acréscimos de última morte, os braços suspensos como que atirados ao ar pelo invisível, apontando. É tão leve, logra tocar a ver se desmancha, água ou vapor. Mas não é externo, eis a voz. E, de leve, a interrogação dá a mão.

Desenho círculos e penso se os conheço. Trago a covardia de todo dia e sento calma, calma. Eu me vou, eu me fito. É o presente, saí dali. Abracei-me e me escrevi, cada célula de dor reaquecida. Depois do reconhecimento, o sorriso.