sábado, abril 29, 2006

E um dia se falaram. Trocaram aquelas impressões enquanto o sujeito que sentava na pedra catou dizeres no fundo dos olhos e delatou os diálogos, os olhares, as ausências, as concepções e os partos. Ele é da pedra, ou a pedra é ele, que será, por que dali não saia? Estranharam, não quiseram dizer de imediato. Quando foi que se originou a maravilha não percebemos, provavelmente o narrador foi à casinha e não pôde anotar esse pedaço de mau caminho da História. Deu que se flagraram alisando os braços do vizinho: eu também tenho, veja só. Familiarizados com o toque, todos (quase) parecidos, pretenderam cismar que deveriam ter a mesma cobertura. O sujeito da pedra prosseguiu mediante o reconhecimento de todos, porque sim, disse das duas pernas e dos dois braços, do pau e do buraco, da boca e das orelhas, não era só a pele (tinha nome e era pele), não era também a superfície, pois tinha o suor, os excrementos e a saliva. Volveu às palavras do princípio para encerrar com as mesmas, deu testemunho de fogo e sem desembaraço, explanou o que escondiam todas as manhãs por debaixo dos travesseiros e a sujeira, dita assim, limpou-se um bocado. Bastou a sua primeira pedra jogada ao longe, logo cuspiram umas tantas outras, as moças levantaram as saias e os rapazes se preocuparam em mostrar inocência. O que se seguiu se deu por uma exaustão de pretenderem velar aquilo que não precisava ser velado e explodiram que tinham aquilo, aquilo mesmo que o sujeito da pedra relatou, que os arrastara até ali sem dar tempo de entendimento. O sujeito da pedra chamou de amor, ao que uns montes não ouviram, outros ouviram mal e o resto ouviu, mas esqueceu. Estavam ocupados em constatar os peidos e os arrotos em comum (faziam das mesmas coisas), mas não havia um que não tivesse pressentido, afinal.



[ninguém deixa de saber do amor pelo menos uma vez por semana ninguém deixa de ignorá-lo pelo menos uma vez por semana]

8 Comments:

Anonymous Anônimo said...

bó simbora comigo entonce.
só ainda não sei pra onde, também.
;]

3:37 PM  
Anonymous Anônimo said...

eu não sei dele. do amor.

Camila

5:15 PM  
Blogger amor said...

Meu Deus. Vc pode me contar sobre esse amor? O que é isso?

12:59 PM  
Anonymous Anônimo said...

Sei de um ou outro sentimento que explode, mas não... não é amor.

E olha que as pessoas da sala de jantar são ocupadas em nascer e morrer.

5:03 PM  
Blogger natércia pontes said...

é mesmo. ninguém.

10:50 AM  
Anonymous Anônimo said...

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