quarta-feira, fevereiro 22, 2006

mediocridade e afins

à volta, uma borda de duas camadas exerce o ofício de limitar dando gostinho, isto é, de impor um cercado donde a força das pernas freqüentemente se subjuga à fraqueza espiritual: os olhos permanecem por cima, averiguando que é de fato possível, e são eles que se movimentam involuntariamente, presos ao corpo inerte.

a alienação que detém a enxurrada criativa redireciona prioridades por vezes de forma vexatória (tão acostumadas estão as pessoas com seus fatos, suas histórias... estas, de tão tradicionalistas, imploram por verniz, a fim de que as lacunas, os esquecimentos e as imperfeições sejam camufladas num mesmo tom, sem sobressalentes revolucionários. é difícil se desconstruir). e daí, o benefício da mentira. redentora, é ela quem acoberta o corpo que se submete a uma rotina compulsória, nostálgica e vazia, enquanto os dedos, à parte, saltam cintilantes, suspendem o não-dito no ar, às vezes cumprem explanar, às vezes são escutados.

é ainda considerado buscar um papel colorido, ser dor larga a ver se ao menos se lateja, alguma força que vibra em acordes circulares. que seja parco o entendimento acerca dos deslumbramentos, que não se entenda do sublime e da inspiração. acima de tudo, que haja o desconhecido.

10 Comments:

Anonymous Anônimo said...

isto é uma porra de um blogue. não tenho pretensões literárias. se tivesse, não estaria aqui. escrevo desde sempre e continuarei. ciclos. eu, fernanda. porque falo, falo, tenho dedos, hormônios e nostalgia.

7:05 PM  
Anonymous Anônimo said...

Ô fofinha, não fica assim não. Você escreve muito bem. Se as pessoas comentam seu texto, é porque tudo que há aqui é texto. E eu comento seu texto porque gosto e me interesso por ele. Sou seu fã e da sua literatura. Sim, o que você faz é literatura sim. E boa.
Um beijo, guria.

9:45 PM  
Anonymous Anônimo said...

ai ai... blefar com requinte é luxo nosso, minha diva. o resto, todos, são insanos umbiguistas contraditórios com a própria existência. vide alí, aqui, acolá... gargalhemos, pois. a vida é uma piada suspensa.

há amor aqui pra você.

Camila

11:40 PM  
Anonymous Anônimo said...

Porra, tu é foda. Eu fico pensando: como é que?

Maricota.

6:17 AM  
Anonymous Anônimo said...

eu adorei esse, não entendi nada mas achei muito esclarecedor.

vc escreve muito bem e conhece muitas palavras difíceis, fiquei impressionado, a primeira loira inteligente que conheci

5:36 PM  
Anonymous Anônimo said...

eu gosto dessa "porra de blog"
=]

5:57 PM  
Anonymous Anônimo said...

Que o sublime e inspiração, ñ alimentem a ilusão...Um desjo utópico.
Por enquanto.
Afinal, quem sabe do segundo que vem depois desse ?

Chico

9:38 PM  
Anonymous Anônimo said...

O desconhecido é uma falácia.
Como vc, como eu.

Chico

9:39 PM  
Anonymous Anônimo said...

é imprenscindivel t ler. é.

Léo

11:59 AM  
Anonymous Anônimo said...

E não é que a vida forjada, toda ela, é feita de luzes piscantes, ruídos de tuba e papel celofane?

9:48 PM  

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